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sábado, 1 de julho de 2017

Natasha - Cap 13

“Hoje eu não vou levantar para nada além do meu bebê.” Érica pensava, ainda deitada. Mas a barriga roncou e ela foi preparar algo para comer. “Deve ter algo para comer nessa casa.” Ao descer as escadas, ouviu o choro de Natasha. Um choro assustado, mas que não parecia ser de desespero. Correu até o berço e a encontrou já vermelha.
-Calma, minha filha. - Ela sussurrou. -Eu estou aqui. Está tudo bem.
Mas a bebê continuava chorando. “Deve ser fome.” Pegou uma manta e foi até a cozinha; deixou Natasha enrolada no balcão e pegou a papinha na geladeira.
-Calma, você já vai comer. - Disse ao mesmo tempo em que colocava a papinha em uma água quente (que ficava reservada em uma garrafa térmica).
- Agora o meu café. - Colocou o leite para ferver e passou manteiga no pão; sempre com a atenção em sua filha. Ela sabia que era perigoso fazer várias coisa de uma vez, mas era necessário. Deu a papinha (já mais morna) para a criança, tomou seu café e voltou para o quarto.
Deitando a garota no trocador, tentou se lembrar de tudo o que fizera naquela semana; mas não conseguiu. “Talvez eu esteja ficando louca.”. Trocou a fralda por uma mais limpa, mesmo que não estivesse toda suja. Se sentiu culpada por usar duas descartáveis seguidas, em vez de uma ecofralda; porém, o cansaço era grande e a consumia.
Enfim, foram para suas respectivas camas. Por pura curiosidade, Érica foi checar o que fez durante a semana em sua agenda. Ficou assustada ao se deparar com isso:
  • Segunda-feira: Prova de Cálculo I e Preparar a seleção de novos funcionários;
  • Terça-feira: Seminário sobre A História da Civilização Egípcia e seu modo de escrita e pediatra da Natasha;
  • Quarta-feira: Festinha do grupo de mães solteiras e entrega do planejamento para a seleção;
  • Quinta-feira: Aplicação dos testes da seleção de novos funcionários e visita às filiais situadas na Doca e em Nazaré;
  • Sexta-feira: Prova de Metodologia da pesquisa e pediatra da Natasha.
  • P.S.: Fazer supermercado, agendar outro dia para a vacinação e avaliar os resultados dos testes de seleção junto com a equipe.
“Meu Deus! Quase não consigo fazer essas coisas. Essas anotações vão ter que ficar para segunda. Hoje eu preciso descansar.” Ela deitou na cama, mas rolava de um lado para o outro sem conseguir pegar os olhos. “Eu tenho que organizar essas coisas!” Érica deu um pulo da cama e começou a organizar a semana seguinte para não se perder. Anotou tudo que tinha de fazer, colocou até alarme no celular. “Não é o suficiente.”
Desceu as escadas correndo e organizou a cozinha em cerca de uma hora. A essa altura já estava perto do almoço e pediu comida. Se tocou de que poderia fazer as compras do mês pelo celular também e, em meia hora, já tinha feito seu pedido. No embalo, deixou sala, banheiro, lavanderia e quarto em ordem. Natasha acordava de vez em quando para fazer uma graça e logo voltava a dormir. Colocou cada compra em seu lugar. "Ótimo, menos duas coisas para fazer nessa semana.".
Assim, o dia passou muito rápido e a fadiga só cresceu; mas ela estava feliz por não gastar com uma faxineira. Acabou a arrumação bem tarde, tomou banho e dormiu. Então, sua filha acordou e queria brincar. Érica teve que acordar e ficar com ela; depois a deixou no chão com alguns brinquedos para terminar de dobrar suas roupas. Lhe deu banho, um tiro certo; e a pequena se deixou levar pelo sono.

“Finalmente!”, se jogou na cama e dormiu.

sábado, 17 de junho de 2017

Natasha-Cap12

-Desculpa, mas não posso ficar com Natasha neste fim de semana. Meus filhos já são umas pestes que não me dão nenhum descanso.
-Tudo bem. Então vou remarcar essa viagem.
-Já que você vai ficar em casa, vou levar meus filhos aí pra ver tua pequena.
-Que?! Na..
-Ela vai adorar os novos amiguinhos. Bem, tenho que ir. Até mais.
“Mas que vad…”
-Mãe, estava com alguém no telefone?
-Sim, filha. Uma amiga do grupo de mães que acabou de se casar.
-Ah, que bom pra ela.
-Pena que não tão bom pra nós…-Érica resmungou, saindo da cozinha.
-A senhora não vai mais viajar?
-Não. E vamos ter a visita de alguns coleguinhas.
-Quem?
-Você não conhece. - Ela suspirou profundamente; as histórias que ela ouvia sobre as crianças não eram muito boas. -Filha, tenha paciência com eles, tá
-Tudo bem, mamãe.
No dia seguinte, a campainha da casa tocou cedo. Eram Helena e seus dois meninos. Érica só queria que um carro atropelasse aquela pessoa incompetente suas duas crias, como ela mesma os chamava. Mas agiu como se fosse a melhor coisa do mundo recebê-los. A mãe empurrou os pequenos porta adentro e saiu correndo.
-Bom dia, tia.
-Bom dia, meninos. Teremos o dia todo de folga. O que vocês querem fazer?
-COMER! - Eles gritaram em coro. -Saímos sem tomar café.
-Tudo bem, vamos para a cozinha. - Seu sorriso tenso mostrava grande parte de sua preocupação. -O que vocês querem comer?
-Não sei. - Disse o mais velho. O segundo se ateve a dar de ombros.
-OK. Então vamos de sucrilhos. - Os meninos ficaram boquiabertos. Natasha riu da reação deles.
-Vocês não comem sucrilhos?
-Mamãe não deixa. Diz que engorda e que não tem dinheiro.
“Ela é presidente da firma em que trabalha e não tem dinheiro para alimentar os próprios filhos?!’
Depois do café, foram se aprontar para ir a uma praça. Enquanto Natasha organizava a bolsinha de passeio com o necessário, os meninos brincavam com a cozinha de papelão que Érica fez para a filha.
-Que bacana, você tem uma cozinha só pra você!
-Tenho. Vocês não?
-Não.
-E como vocês vão aprender a cozinhar? - Os dois deram de ombros.
-E você tem vários filhos. -O menor apontou para as bonecas na cômoda. - Dá tempo de cuidar de todos?
-Sim. Mas eu só brinco depois da lição de casa.
-Que legal! Eu quero ajudar…- O mais velho disse meio envergonhado. -Eu sempre quis uma boneca dessas.
-Escolhe uma para ir passear com você hoje. -Natasha se perguntava o motivo deles não terem brinquedos assim. -Você também vai querer um bebê?
-Não. Eu gostei mais daquela moça lá em cima. - O menor apontava para a boneca da Mulher Maravilha. - Ela parece bem forte e vai ser uma boa parceira para o Superman na luta contra o mal.
-Eu também acho. -Érica estava na porta do quarto e ouvia tudo.
-O...Oi, tia. - O mais velho escondeu a boneca atrás de si.
-Quer uma ajuda com o sling?
-Sh o que?
-Sling. É um modo de carregar bebês. Vem, eu posso te ajudar. - Depois de ajudar este, entregou a Mulher Maravilha ao menor. -Vamos. Ah, eu ainda não sei seus nomes.
-O meu é Lucas e meu irmão é João. -Disse o mais novo.
-Nomes legais. Eu sou Érica e essa é minha filha, Natasha.
No carro, começou uma briga pelo que devia passar no DVD. A moça simplesmente desligou tudo e disse que, se fossem brigar por aquilo, é melhor que não o tivessem. Os meninos choraram uns cinco minutos, depois se conformaram. Então,ela colocou o filme de sua escolha e eles não brigaram mais.
Apesar de alguns olhares de julgamento e crítica de algumas pessoas, todos se divertiram bastante na praça e voltaram para casa para almoçar. Depois da macarronada, as crianças ficaram brincando na cozinha de papelão; achando aquilo o máximo, Érica tirava fotos e escrevia sobre aquilo. Era algo tão diferente do que ela pensou que seria. Cansativo sim, as dores nas costas não a deixavam mentir; mas tão prazeroso que fazia valer a pena.
Lucas acabou batendo o pé na parede, o que o fez sangrar bastante; e João rasgou a porta do fogão. Mas nada que não tivesse conserto.
No fim do dia, eles assistiram um filme. Up, o favorito dos garotos. Pipoca e suco de laranja acompanhando. Dormiram um pouco depois do filme começar. Mesmo sem tomar banho, Érica os colocou para dormir.
No dia seguinte, ela levou todos para a escola e foi trabalhar. Ao meio dia, recebeu uma ligação de Helena agradecendo e pedindo que ficasse com eles no próximo domingo novamente. Ela aceitou. 

sábado, 3 de junho de 2017

Natasha - Cap 11

Érica percebeu que a casa estava silenciosa demais e decidiu dar uma volta para ver o que a filha estava fazendo. Ao se aproximar do quarto, a Galinha Pintadinha tocava em alto e bom som. Abriu a porta devagar e viu Natasha dançando loucamente.
-Oi, mãe… - A menina disse encabulada.
-Ah não pare! Você estava dançando muito bem.
-Sério?!
-Sim.
-Que legal!
-Vá tomar seu banho para irmos à casa da sua avó. Ela está nos esperando.
-Tá ok. Só mais essa música.
Natasha começou a dançar novamente, mexendo a cabeça de um lado para o outro. Até que bateu na quina do guarda roupas. Érica correu para ver o ferimento que já sangrava.
-Eita...
-Que foi, mãe? Eu vou morrer?! - A menina dizia, já chorando.
-Não! Se acalme... - Ela colocou uma toalhinha onde sangrava. - Vamos para o hospital.
Já no carro, o google calculava a rota mais rápida enquanto Érica ligava para a mãe.
-Alô. Natasha bateu a cabeça e precisamos ir ao hospital. Vou te mandar a localização exata.
-Tudo bem. Vou arrumar umas coisas aqui e já encontro vocês.
-Vamos, mamãe! - A pequena gritava no banco de trás, desesperada.
-Já estamos indo. Calma.
Elas correram para a emergência, apesar de ter demorado algum tempo até serem atendidas. Logo encontraram a mãe de Érica. Depois de alguns exames e muito choro de Natasha, os médicos concluíram que não era grave e só precisaria de alguns pontos. Houve o procedimento cirúrgico e elas foram mandadas para a sala de repouso. A menina ficaria em observação.
-Mãe, a senhora pode ir. Obrigada por ter vindo.
-Não se preocupe comigo, minha filha. - Ela disse dando-lhe um abraço e fazendo a moça chorar.
-Eu fiquei com tanto medo…
-Está tudo bem agora, querida. Isso é normal. Eu também ficava com medo quando algo acontecia com você.
-Obrigada por vir.
-Tudo bem. Agora descanse. Vá dormir.
-E a senhora?
-Eu vou ficar bem.
-Obrigada, mãe. - Então ela se acomodou em uma poltrona e dormiu.

-Vai ficar tudo bem, minha filha. Você é forte.

sábado, 6 de maio de 2017

Natasha - Cap 10

Antes da história começar, queria pedir aos meus queridos leitores que compartilhem e comentem os capítulos. Esses textos são feitos para vocês e quero saber se gostam ou não. Obrigada pela atenção e bom divertimento.

O domingo de Páscoa começou agitada. Mãe e filha foram à igreja ouvir sobre a data em questão e entender melhor o porquê da comemoração. Em seguida foram para a casa da avó de Natasha. Deram carona para mais algumas pessoas, amigos de Natasha e suas mães. Cantaram um dingle que passava na televisão o caminho inteiro.
As outras participantes do grupo de mães que adotaram - do qual, Érica fazia parte, já estavam esperando na porta da casa. Era bom para a moça ter um suporte a mais na educação de Natasha e que a menina tivesse amigos na mesma situação. Todos estavam muito animados com a oportunidade de estarem todas juntos em uma programação - que nunca fariam estando sozinhas.  
A caça aos ovos com Natasha e seus amiguinhos foi um sucesso. Todos muitos felizes com seus respectivos brindes. Então, se sentaram para uma gincana de perguntas e respostas sobre a Páscoa, enquanto era preparado o almoço.
Foi quando ouviram a campainha tocar. Era Roberto.
-Bom dia, eu sou o Roberto. Onde está Érica?
-Lá na cozinha. Pode entrar.
-Obrigado. - Ele disse e foi passando pela sala. Natasha foi até ele e o abraçou. - Oi, pequena. Tudo bem?
-Tudo sim. E tchau. - E se sentou novamente no sofá.
Roberto suava frio quando cumprimentou Érica. Pediu para usar o banheiro e correu até lá. Repensou o que iria dizer e se perguntou se teria algum problema entre eles. Mas isso parecia bem distante em sua mente. Abriu a porta decidido a contar.
-Filha, você tá bem?
-Sim, eu só bati o braço na mesa.
-Quer um pouco de gelo?
-Não, mãe. Eu tô bem.
-Tudo bem. Dá um abraço aqui.
Observou por alguns instantes aquela cena pela brecha e caiu em si. Elas não precisavam dessa verdade agora - e talvez, nunca. Trancou novamente a porta do banheiro e limpou o rosto. Saiu como se não estivesse acontecendo nada.
-Érica, eu vim só trazer esses presentes pra vocês e tenho que ir. Vou passar o dia com meus pais.
-Ah, sim. Tudo bem. Boa Páscoa, seu Roberto.
-Boa Páscoa, querida. - Eles se abraçaram e ele foi embora. Sem problemas, sem discussões. Deixou que a vida simplesmente seguisse. Ou era o que ele achava...

sábado, 15 de abril de 2017

Natsha - cap 9

-Mãe, mãe!
-Estou lendo.
-Desculpa. Só queria te lembrar de quem vem nos visitar essa semana.
Érica pensou em várias pessoas com quem teria reunião durante algum tempo e concluiu que nenhuma seria em sua casa.
-Algum trabalho seu de escola?
-Não. - Natasha ria com a bobagem da mãe.
-Parente?
-Não, mãe. É o coelho da páscoa.
-Ah… - Ela não acreditava como poderia ter esquecido disso. - Tudo bem.
-Eu já vou dormir. Até mais, mamãe.
-Quer que eu vá te cobrir?
-Não, tudo bem. Boa noite.
-Boa noite, querida.
Assim que a garotinha saiu da sala, Érica começou a organizar um plano de brindes de páscoa para a empresa e para sua casa.
No dia seguinte, ela deixou a pequena na escola e correu para o comércio. Passou em casas de festa, papelaria e lojas de R$ 1,99 comprando de tudo - inclusive coisas comestíveis. Isso durou todo o período em que a menina estaria na escola. Depois foram almoçar juntas no shopping e assistir um filme. Enquanto ela brincava no parque, Érica tirava fotos e mandava mensagens para a secretária da empresa e para sua mãe tentando organizar o que fariam no feriado.
Natasha dormiu no carro durante o caminho de volta para casa. Depois de colocar a pequena na cama e descarregar o carro, a moça estava mais que exausta; então simplesmente organizou algumas coisas para o dia seguinte e caiu na cama.
Pela manhã, acordou com seu celular tocando. Era a secretária preocupada com seu atraso. Saiu correndo, mas só conseguiu deixar Natasha na escola depois do terceiro horário. Chegou na empresa, ligou para sua mãe e lhe pediu que fosse pegar a neta na escola; ela respondeu que ficaria a tarde toda com ela.
Érica agilizou algumas reuniões e papeladas. Contudo, chegou na casa de sua mãe bem mais tarde do que pretendia e a menina já dormia. Levou-a para casa e começou a montar o ovos de colher que daria de presente no domingo, na casa de sua mãe. Por volta de duas horas da manhã, começou uma videoconferência com investidores de Paris e tiveram uma longa conversa até 6:30. Então, ela aprontou Natasha para a escola e tomaram café juntas.
-Mãe…
-Oi?
-Eu esqueci de te falar, mas vai ter minha festinha de páscoa no sábado.
-Ôh, minha filha. - Ela disse enquanto acariciava o cabelo da menina. - Eu sei. Me mandaram um email. Apesar de achar estranho fazerem nesse dia.
-Ah, tá. Que bom.
-Você já acabou de ler o livro que compramos semana passada?
-O do príncipe?
-Sim.
-Achei chato. A rosa é muito boba e ele é um cara que não pára em nenhum lugar, só vive viajando. - Ela suspirou. - E ele morre no final por não querer sair de perto das cobras.
Érica riu da descrição, era exatamente a mesma que ela faria.
-Posso ir pra casa da Mariana depois da festa?
-Foi ela que te convidou? - Érica sabia reconhecer os defeitos da filha quando necessário.
-Sim. - A menina bufou. -Por favor, mãe...
-Tá...
O resto daquele dia foi tão corrido que Érica não se lembraria se não tivesse escrito tudo o que aconteceu. Das reuniões pela manhã, passando pelo almoço rápido e cheio de papeladas para assinar no escritório, até o jantar enquanto montava os brindes e a festa de páscoa, com a ajuda da secretária, em uma hora e meia depois do expediente.
Com a correria do dia anterior, mãe e filha passaram da hora no sono e no café da manhã. Depois, correram para a escola de Natasha. Contudo, ela acabou pegando uma suspensão por ser a terceira vez que chegava atrasada naquele mês. Deram meia volta no carro e foram para a festa da empresa; que, apesar de tudo, foi realmente divertida. A maioria dos pais levaram suas crianças e Dr. Roberto, que agora estava em outra agência maior, também compareceu.
-A menina está grande. Você a educou bem, Érica.
-Obrigada, senhor. - E ela o abraçou. - O senhor é o pai que nunca tive, seu Roberto.
-Isso me deixa muito feliz. - E deixaram algumas lágrimas caírem. - Ah, e isso é pra Natasha. - Pegou um ovo que estava escondendo atrás de si e entregou à moça. - A atendente disse que crianças geralmente gostam desses.
-Tio Roberto. - A pequena correu e o abraçou também. - Como o senhor está?
-Estou bem, querida.
Roberto se desvencilhou da conversa e foi até o banheiro. Entrou em um dos boxes se perguntando quando contaria a verdade a Érica. Lembrou-se dos emails escritos e cancelados por puro medo da reação dela. Lavou o rosto e voltou ao salão.
Natasha em pessoa o convidou para ir à casa da avó no domingo, na comemoração. Ele aceitou muito feliz.
Na sexta-feira, a moça e a filha foram ao culto pela manhã. Depois ficaram em casa assistindo alguns filmes.
No sábado houve a festa de Páscoa da escola. Estava tudo muito fofo e bonito, apesar do vestido que a garota fez questão de sujar antes da apresentação. Então, a pequena foi para a casa de uma amiga brincar e Érica foi à casa de sua mãe e ajudou a arrumar a casa para o dia seguinte. Prepararam algumas brincadeiras e surpresas para Natasha; contudo, nada poderia prever o que aconteceria no dia seguinte.

sábado, 8 de abril de 2017

Natasha - Cap 8

Pessoal, antes de tudo quero pedir a ajuda de vocês. Estamos passando por um tempo com baixa audiência no blog e queria pedir a vocês que comentem e compartilhem nossos links com outras pessoas. Aguardo seus comentários. Espero que gostem das histórias.
...

Acabado o trabalho, Érica discou o número de Sophia e colocou no viva-voz; enquanto esperava a amiga atender, abriu mais uma papinha para dar a Natasha.
-Alô?
-Sophia, sou eu. Tive algumas ideias para o baby chá.
-Mana, tudo bem?! Espero que sim! O baby chá pode ser na minha casa! Achei umas comidinhas muito boas e baratas para vermos. E o estilo?! Fashion ou Vitoriano?! Acho que vitoriano ia ficar lindo! Pensei em montarmos logo uma lista de convidados e distribuirmos os convites…
-Mana, calma!
-Tá, tô calma.
-Temos que conversar pessoalmente para juntar as ideias.
-Tá. Em 15 minutos eu tô aí.
-Não, eu…
-Tchau.
Érica suspirou pelo cansaço e riu da situação.
-Tá vendo?! - A moça olhava para seu estado decadente no espelho. -Mas isso não vai ficar assim. Vamos comer logo essa papinha que eu vou me arrumar. - Continuou dando papinha para a pequena; a colocou para arrotar quanto terminou.
-Bem, um short não faz mal. - Disse, tirando uma muda de roupas do armário. Espalhou uma toalha no chão, onde deixou a bebê enquanto se trocava. “Ainda bem que meu quarto é limpo.” Alguns minutos foram o suficiente para Natasha sujar toda a fralda que ela tinha acabado de trocar.
-Nossa, que rápido. Bem, fazer o que, né?! - Então, em alguns segundos, organizou tudo o que precisava para trocar a fralda da criança. -Essa luta eu já venci. - Com alguns lencinhos umedecidos limpou aquela sujeira toda; passou uma toalhinha molhada, pomada e colocou a fralda direitinho. -O treinamento de ontem não foi fácil, mas foi proveitoso. - Natasha riu do jeito engraçado de Érica. -Vamos, está na hora.
A moça desceu as escadas com o bebê no “berço”, um caderno e algumas canetas debaixo do braço. Logo a campainha tocou; era Sophia.
-Mana, entra.
-Trouxe uma pizza para comermos. - Sophia tinha o pacote, o notebook, um caderno, uma bolsa, sacolas de supermercado e a chave dos carros nas mãos.
-Tô vendo. - Ela pegou várias coisas dos braços da amiga e levou para a cozinha. Colocaram a comida para esquentar e organizaram uma área para discutirem sobre o baby chá.
Naquele dia foi rápido planejar a festa. Uma semana depois elas já tinham todo o dinheiro para a decoração e as comidinhas e os convites já tinham sido enviados.
Na véspera, Érica estava tão cansada que deixou Natasha sob os cuidados de sua mãe e dormiu até anoitecer. Contudo, a manhã seguinte foi cheia de trabalho em decoração e fraldas sujas; e, pela tarde, foram comprar os salgados e doces que serviriam mais tarde.
Durante a festa aconteceram várias brincadeiras e outras coisas que deixavam os convidados animados e Érica bastante irritada. Ela não sabia dizer se eram as dores nas costas ou o estresse que a estavam deixando desanimada e triste. Ela mesma não entendia o porquê de estar chateada e sem vontade de nada. Subiu ao quarto de Sophia e dormiu em sua cama até o final da festa. Quando desceu, todos os convidados já tinham ido e Natasha dormia em um berço estranho.
-O que houve com você? - Sophia falou com um tom preocupado.
-Estou bem, só fui dormir um pouco. - Érica suspirou. - Que berço é esse?
-Um de seus convidados trouxeram presentes bem interessantes. Temos várias coisas como esse berço, eco fraldas, roupinhas, mamadeiras e outros presentes não tão interessantes.
-Obrigada por me ajudar com tudo. Eu estou tão cansada.
-Tudo bem. Se quiser deixar Natasha comigo qualquer dia para descansar eu vou entender.
-Obrigada.
-Vocês vão ficar aqui hoje, certo?
-Sim, falei com minha mãe sobre isso e ela disse que tudo bem.
-Ok. Então hoje é minha vez de ficar com esse bebê lindo.

sábado, 11 de março de 2017

Natasha - Cap 7

O frio daquela manhã incomum era notável. “Estamos em Belém do Pará! Como podemos ter uma temperatura tão baixa?!”. Natasha acordou e começou a chorar, como fez durante a noite toda a cada meia hora.
-Pequena, você não pode estar com fome! Eu acabei de te dar papinha! - Érica já sentia o cansaço bater e os olhos pesarem. “Eu quero um banho quente…”
Ela carregou a bebê até a cozinha. Botou alguns sachês de chá de camomila e água em uma panela; deixou esquentando e foi pegar toalhas, uma bacia e alguns baldes. Natasha não parou de chorar e isso começava a irritar a moça. Érica tentou dar papinha e alguns brinquedos, mas nada funcionava. Pesquisou motivos de choros e percebeu que faltava algo importante todas as vezes que deu papinha: colocar Natasha para arrotar. Na hora, colocou o bebê na vertical e a pôs para arrotar; o que aconteceu diversas vezes até que ela gofou um pouco e se acalmou.
-Você podia ter dito logo, viu?! - A pequena a olhou de forma cansada e pesarosa. -Desculpe… - A moça a abraçou, como um pedido de desculpas.
A água começou a borbulhar na panela. Érica segurou um dos baldes pela alça e o trouxe até a cozinha, colocou a água quente aos poucos e com muito cuidado (para não queimar Natasha) e o levou de volta ao banheiro; encheu outro balde com água fria e as misturou. Colocou um pouco da água na bacia e mediu a temperatura na sua pele, estava boa; deixou o bebê nesta e a pôs sobre o vaso sanitário. A pequena já estava bem mais esperta e ficou brincando na água enquanto tomava banho. Ao terminar, sua guardiã botou a bacia no chão e se dirigiu ao box para tomar banho; sempre de olho na criança, Érica conseguiu tomar um rápido banho; logo enrolou o bebê em uma toalha pequena e vestiu um roupão para sair do banheiro. Jogou a água da bacia fora e guardou-a junto dos baldes; coisas simples de fazer ficavam bem mais complicadas com um bebê brincalhão no colo.
Ao chegar no quarto, Natasha estava quase dormindo e, depois de seca e vestida, caiu no sono. A moça se enxugou e pôs um vestido. Foi quando se lembrou da bagunça que deixara na cozinha; correu para arrumar tudo e voltou para o quarto.
O berço improvisado da bebê era uma antiga caixa organizadora coberta com diversos tipos de panos que a deixavam bastante confortável.
Enquanto Natasha dormia, Érica participou de uma rápida reunião via Skype com investidores norte americanos e outra com um cliente do guamá. Parecia que a noite mal dormida, fez a criança ficar cansada a ponto de apagar por mais de uma hora. Então ela voltou a chorar e berrar como se não houvesse amanhã.
-Meu Deus! O que tá acontecendo?! - Ela pegou a bebê no colo. -O que você tem?
Natasha ficou vermelha de tanto chorar, como na noite passada. A moça lembrou dos motivos pelos quais os bebês choram e se perguntou se poderia ser algum tipo de cólica. Pegou algum dinheiro, colocou um soutien - nada era fácil com a pequena gritando. Checou o celular pra ver se não tinha nenhuma mensagem e saiu com a criança para a farmácia.
No balcão pediu o medicamento que tinham recomendado no site e voltou para casa.
Percebeu que estava trancada do lado de fora. “Não, isso não pode estar acontecendo!”.
Tocou a campainha diversas vezes até a mãe atendê-la.
-Oi…- Disse com uma cara um tanto cínica.
-Olha, não tenho nada pra te dar… - A mãe brincou.
-Muito engraçado… - Érica continuava na porta.
-Entra, bobinha. O que você foi fazer lá fora?
-Natasha está com cólica e eu fui comprar um remédio.
-Funchicória? Eu tenho…
-Tá brincando?! Meu Deus… - A moça se jogou no sofá, sentindo o cansaço pela correria.
-Mas tá vencido. - A mãe riu do estado da filha, lembrando do passado.
-Ok. Hora da massagem.
-Deixe que eu faço isso. Só olhe. Você já comeu alguma coisa hoje?
-Não que eu me lembre.
-Então prepare algo e volte aqui. Não vai querer cair de fome no meio da rua.
-Então foi por isso que a senhora caiu daquela vez? Nossa…
-Foi. Como você lembra disso? Era tão novinha…
-Foi depois que papai morreu…
-Sim. Fiquei meio perdida; afinal, dividimos sua criação...sem meu companheiro foi difícil. Mas eu sobrevivi e você também vai.
Érica preparou uma salada de frutas e tapioca; foi para a sala ver o que estava acontecendo. Sua mãe estava massageando a barriga de Natasha com todo o carinho e paciência do mundo; como um milagre, parecia que realmente estava funcionando.
-Nem vamos precisar da funchicória. - Ela riu. - Você é um bebê esperto, você é sim.
-Obrigada por me ajudar.
-Não há de quê.
Érica pegou Natasha no colo e saiu andando.
-Você sabe que eu não concordo com o que você está fazendo…
-Mãe…
-Mas vou sempre estar aqui para te ajudar. Conte comigo.

-Obrigada. -Érica estava surpresa com a atitude de sua mãe. Subiu novamente para seu quarto para terminar seu trabalho e colocar Natasha para dormir.

sábado, 4 de março de 2017

Natasha - Cap 6

-Mana, eu já tava esperando por isso. Essa greve já era pra ter rolado a algum tempo. - Érica suspirou de raiva. -Mas tudo bem. Te encontro no shopping. - Então a campainha tocou. “Não estou esperando ninguém...deve ser um  vizinho chato querendo algo da mamãe”.
-Olha, a minha mãe não está…
Ao abrir a porta, ela se deparou com aquela caixa com plástico bolha e um bebê dentro. Sua primeira ação foi olhar ao redor pra ver se a pessoa que deixou a criança ali ainda estava por perto, mas o movimento da rua era intenso naquela hora e já não permitia isso. Então, Érica pegou a caixa e a levou pra dentro.
No instante em que a colocou sobre a mesa da cozinha, o bebê fez questão de acordar e sorrir. “Ah, tá. Isso parece muito com Tarzan.”
-Mas eu não vou cair nos seus encantos. - Ela disse apontando para aquele pequeno nariz, quando uma mãozinha o segurou firmemente. -Você é forte mocinha. Mas não vai querer enfrentar o mundo só com uma fralda, certo? Vamos ver umas roupas para você...
“Meu Deus, estou falando com um bebê”. Ela cerrou os olhos.
-Mas aposto que você me entende. - E a criança sorriu novamente. -Você é uma fofa. Vem, acho que tenho a roupa certa para esta ocasião, madame.
Érica a pegou nos braços, percebendo que havia duas fraldas extras na caixa. “A pessoa te deixa na porta de um desconhecido, mas se importa com você. Ótimo…”
Ela colocou um lençol no chão e o bebê sobre ele, de modo que não fosse possível da criança se machucar. Abriu o guarda roupas e tirou algumas peças e paninhos que fossem bem macios para ver se davam naquela coisinha fofa que não parava de se mexer e brincar.
-O que você acha de um nome? - A criança parou subitamente e olhou pra Érica. Seu celular tocou; era Sophia, já impaciente pela espera. “Mana, mal sabes o que aconteceu comigo.” Quando desligou, ela pôde ver a última música que escutou naquele dia - Natasha.
-Natasha? - E o bebê olhou atentamente, como se aquele já fosse seu nome em vidas passadas. -Tá né…
A moça vestiu o bebê, Natasha, com uma blusa (vestido, agora) e começou a arrumar uma bolsa com as fraldas, uns lenços umedecidos, um lençol pequeno, outro vestidinho, uma pomada hidratante que tinha jogada por lá, talco, sua carteira e celular. Então ela enrolou o bebê em um pano e correu pra rua, chamando um táxi.
-Moço, Shopping Boulevard. Rápido, por favor. - Nessa hora, o bebê começou a chorar. -O que foi? Eu não entendo linguagem de bebê.
-Talvez ela esteja com fome…
-Verdade! Nem tinha pensado nisso…
-Quer que eu pare perto em uma farmácia?
-Você seria muito gentil fazendo isso.
-Então vamos lá.
O taxista aguardou enquanto Érica comprava papinhas prontas, mamadeiras e algumas colheres. Também pegou um pacote de fraldas, lenços próprios para bebês e leite. Já tinha estourado metade do seu salário só com isso. “Caramba, é por isso que as mães fazem baby chá…”
-Obrigada por esperar.
-Não há de quê. Sempre ajudo as mães de primeira viagem. Minha mãe me teve quando era bem mais nova que você.
-Ah, não...não sou mãe dela. Deixaram esse bebê em minha porta.
-Nossa. - Nesse momento eles quase sofrem um acidente. -Desculpa.
-Tudo bem. Já estamos quase chegando, certo?
-Sim senhora.
Durante o trajeto, a moça deu a papinha ao bebê, que comeu feliz da vida.
-Tá vendo?!
Ao chegarem no shopping, o taxista disse a ela que não era preciso pagar a viagem, que seria uma cortesia. Érica agradeceu e desceu cheia de sacolas e Natasha nos braços. Mesmo com tudo isso, ela deu um jeito de pegar o celular e ligar para Sophia.
-Mana, não dá tempo de explicar. Só me encontra no coisinha de carrinhos de bebê.
-Eita. Tô indo.
Érica perguntou a um dos guardas onde poderia alugar um carrinho de bebê e,ao ouvir a resposta, saiu correndo até o local. Ao chegar lá, Sophia já esperava com uma cara raivosa; mas, quando viu a amiga com várias sacolas e o bebê nos braços, correu e pegou um carrinho para colocarem as coisas.
-Mana, o que você vai fazer agora?
-Procurar um advogado.
-Entendo…
-Minha filha, o que é isso? - Érica ficou gelada ao ouvir a voz de sua mãe logo atrás de si.
-M...mãe, deixaram essa criança na porta da nossa casa.
-E o que são todas essas coisas?
-Eu não podia deixar ela com fome e suja.
-Mas não teria que levar ela para algum tribunal?
-Na verdade...eu quero adotá-la…
-Minha filha… - D. Amélia engoliu aquilo em seco. -Vou ligar pra uma amiga minha.
- Mana, tu tens certeza?
-Sim. Não pretendo deixar essa criança correr o risco de ser deixada novamente.
Dali a poucos minutos D. Amélia vinha com uma expressão mais pacífica do que quando saiu.
-Filha, vamos ao advogado. Acabe seu almoço.
-Tá tudo bem, mãe?
-Sim, vai ficar tudo bem.

…
-Então você supõe que façamos algo ilegal? - Érica não entendia mais nada.
-Sim. É moralmente aceitável. Nenhum juiz lhe dará a guarda dessa criança no estado de vocês agora. - A advogada movia o olhar de Érica para a mãe. - Vocês precisam de tempo para se organizar e pôr tudo em ordem, principalmente com a papelada. Iremos alegar que estávamos procurando pela família biológica e que tivemos atrasos. Depois de 6 meses, iremos entrar com o processo de adoção.
-Muito obrigada, Salete.
-Eu que agradeço por terem me procurado. Agora se concentrem em ter esse aval para a adoção. - A advogada deu um forte abraço em D. Amélia e em Érica. -Boa sorte, pequena. - Ela disse, olhando para Natasha.

…
-Que notícia boa! - Sophia gritava do outro lado da linha.
-Sim, eu sei. Agora tenho que trabalhar muito para deixar tudo em ordem e as coi…
-Quando vai ser o chá de bebê?
-Que? Eu não vou ter tempo de preparar isso agora…
-Deixe que eu organizo! Nossa, eu sempre quis organizar esse tipo de festa! Só me passe a lista de convidados que eu dou um jeito no resto.
-E...eu não tenho dinheiro…
-Não se preocupe com nada. Agora descanse, seu dia foi agitado.
-Ok, boa noite. Obrigada pela ajuda. - Desligaram logo em seguida. Enquanto Érica se preocupava como iria ter mais tempo e dinheiro para cuidar de Natasha; essa se enrolava em sua cama com os lençóis. Passou a noite acordada, assistindo vídeos de como fazer as coisa da bebê um jeito mais rápido, barato e prático; conseguiu ter algumas ideias de presentes que poderia pedir no baby chá.
Do outro lado da cidade, Sophia bolava a festa. Pensava nos mínimos detalhes para que tudo fosse muito bom.
As duas terminaram tão tarde que já estava amanhecendo.

A casa - redigido em 15/06/2018

Ela acordou ao ouvir as tábuas sendo tiradas de sua porta e os passos apressados. Depois de tanto tempo presenciando os mais diversos tipos ...