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sábado, 13 de maio de 2017

O décimo filho - Cap 4-Páscoa

Pessoal, antes de começar a história quero pedir que comentem e compartilhem nossos links. Também peço para curtirem nossa página no facebook e nossas fotos no instagram.
É isso, bom divertimento e espero que gostem das histórias.

Pela manhã, fomos à igreja e assistimos o culto. Foi lindo estar no culto de crianças e poder entender o sacrifício de Cristo por nós. Todo o seu sofrimento e todas as coisas das quais ele nos livrou. Também houve uma peça para explicar melhor como pôr em prática o perdão que Jesus nos ensina. Quando acabou o culto, aconteceu uma gincana de perguntas e respostas. Mesmo sendo bem novinho, ganhei dois brindes.
Ao voltarmos para casa, tivemos a caça aos ovos. Eu e minha irmã corremos pela casa toda e derrubamos algumas coisas, mas mamãe não ligou. Estávamos gratos demais para nos preocupar com uma pequena bagunça. Depois sentamos felizes no sofá e assistimos um filme para a família.
Passei quase a noite toda jogando e ignorei todas as chamadas de atenção da minha mãe. Acordei lá pelas 10:00 da manhã. E já estava “super” cansado. Só me levantei ao lembrar que minha namorada vinha almoçar comigo.
Quando saí do banho, a caça aos ovos que minha mãe fazia para as crianças da rua já estava começando. Sempre vinha uma explicação sobre a Páscoa, depois a correria. Eu ficava com raiva daquela bagunça toda. Então minha namorada chegou e eu tentei parecer mais feliz. Ficamos nas portas dos quartos, impedindo que as crianças entrassem; pois não haviam ovos lá.
Almoçamos e fomos ver um filme. Ainda estavam algumas crianças, nossos familiares, na sala; e eles estavam brincando com algumas almofadas. Eu comecei a tirar graça deles para que parassem, mas não foi isso o que aconteceu. Eles retrucaram e continuaram brincando. Então, arranquei as almofadas das mãos deles e as joguei no sofá. Deitei em cima de todas e fiquei com cara emburrada. Todos me olharam feio, até os adultos. Eu senti que tinha feito algo errado, mas parecia não me importar.
-Mãe, podemos pedir algo para comer?
-O que você acha de fazer uma pizza?
-Que legal!
-Filha, vamos assar uma pizza?
-Vamos!
Eu corri para a cozinha e tirei as coisas que estavam na parte mais baixa da geladeira. Minha mãe pegou os ingredientes de onde eu não alcançava.
-Sai da frente da geladeira, menino! - Ela cuidava de mim por ser o mais novo e ainda não saber me cuidar.
Montamos a pizza e a assamos. Foi nosso jantar. Naquela noite, mamãe dormiu em um colchão no chão do nosso quarto.
-Boa noite, mano. - Eu já estava quase dormindo quando ouvi a voz de minha irmã, na cama ao lado. Ela estava desligando a televisão.
Eu esperei o filme acabar e me arrumei para ir à casa da minha namorada. Jantei pizza lá. Era agradável e irritante como as pessoas agiam. E eu continuava sentindo que não pertencia a lugar nenhum.
Voltei para casa tarde, ao contrário dos conselhos da família; simplesmente não os escutava mais. Fiquei no computador jogando a noite toda. Ainda estava perdido e sem vontade de nada. Quando todos os meus “amigos” foram dormir, eu deitei na cama e chorei de tristeza, com medo da solidão e do futuro. Então, eu dormi.
Agora sei que não estava sozinho. Em nenhum momento. Eu só me sentia perdido por estar afastado do Criador. Hoje, a paz dEle me inunda e sua força não deixa que eu me abata; pois sei que Ele nunca me deixou.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O décimo filho - Cap 3 - O início do plantio

Durante minha infância e minha adolescência, estive muito conectado com minha igreja e as pessoas que se congregavam nela. Eu sempre participei do culto de crianças e juniores aos domingos, enquanto minhas mãe e irmã estavam no culto da família. Certo dia me procuraram para saber se eu queria participar da organização deste culto e eu disse que sim.
-Você é batizado? - Me perguntaram.
-Não. Ainda não tenho idade pra isso. - Respondi envergonhado.
-Quantos anos você tem?
- 15.
-As pessoas começam a ser batizadas com 12 anos, pois nesta idade já se tem mais clareza do que é pecado e que você pode ser perdoado e lavado pelo sangue de Jesus.
Fui pra casa com isso na cabeça. Não entendi o que me falaram.
Cheguei em casa e fui jogar no computador, minha atividade favorita. Perdi todas as partidas. Nossa, que raiva que eu fiquei, queria quebrar tudo! Fechei a tela e fui para o Youtube ver como eu poderia melhorar meu personagem. O primeiro vídeo da página falava de batismo e aquilo acendeu uma luz na minha cabeça. Instintivamente, cliquei no link e ouvi uma pregação explicando o porquê que as pessoas precisavam ser batizadas.
Minha mãe passou por onde eu estava e me viu naquela situação - que na época eu achava constrangedora.
-Meu filho. - Ela pousou a mão calmamente em meu ombro. - Você quer se batizar?
-Não sei. Parece ser algo muito sério e eu sou novo pra isso…
-Podemos conversar com alguém que entenda bastante sobre isso, se você quiser.
-É...acho melhor…
-Com quem você quer conversar?
-Pode ser com o líder da nossa célula.
-Tudo bem. Vou marcar uma reunião com ele aqui em casa amanhã para falar disso de uma forma não tão formal. O que você acha?

-Acho que seria ótimo. Obrigado, mãe.
Então eu a abracei e voltei a jogar. Mas minha mente estava mais na reunião de amanhã e em minhas dúvidas do que naquele jogo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O Décimo filho - Cap 2- Vamos ao parque?

Quando fomos ao primeiro congresso em nossa igreja eu completava 6 anos de idade. Não me lembro muito bem, mas passamos bastante tempo dentro do ônibus e em duas cidades- São Paulo e Santa Catarina.
No ônibus, eu e minha irmã aprontávamos todas - entre brigas e brincadeiras. Certa noite ela estava sentada na poltrona ao lado de minha avó e eu ao lado de minha mãe. Pelo reflexo da janela, mana conseguia me mostrar a língua e me irritar a ponto de eu reclamar com minha mãe. Sempre brigamos muito, mas ficamos bem depois.
Chegamos à cidade de São Paulo e fizemos várias compras durante o dia; foram compras realmente boas, pois eram coisas de qualidade relativamente boa a um preço acessível. Pela parte da noite, minha mãe me deu mingau e eu apaguei; estava em um sono tão profundo que minhas mãe, irmã, tia e avó saíram e me deixaram no quarto por não conseguirem me acordar - não tinha comida no hotel e elas realmente tinham que sair. No dia seguinte fomos às compras mais uma vez e quase nos perdemos do pessoal da igreja.
Alguns dias depois estávamos em Santa Catarina nos preparando para ir a um dos maiores (ou o maior) parques da América Latina, O Beto Carrero World! Aquele passeio foi realmente mágico…
O carrossel na praça de alimentação é uma das lembranças mais vívidas em minha mente. Eu sempre fui bastante agitado e ficava pior com fome; porém, aquele brinquedo me conquistou de um modo impressionante. Todos os cavalos, “poltronas” e luzes o faziam parecer outro mundo, e seu tamanho era a parte principal. Realmente era outro mundo; um local sem erros e tristezas - me perguntei se Deus viveria em um lugar assim. Então eu caí no chão da praça de alimentação. Estava caminhando distraído pelo carrossel…
-Menino, levanta ainda temos muito o que ver! - Minha mãe ria de meu tropeço.
-Só tu, mano! - Minha irmã quis tirar graça comigo e eu lhe mostrei a língua.
-Vocês já vão começar?!
Depois disso vieram o zoológico, o assalto ao trem, algumas montanhas russas e trens fantasmas, a casa do terror, a caverna dos piratas, um brinquedo que nos jogou água e muitos outros. No fim do dia, passamos novamente pela praça de alimentação e pela lojinha - não compramos nada na lojinha, mas nossas barriguinhas estavam cheias.
No dia seguinte fomos à igreja em que estava ocorrendo o culto principal do congresso. Eu não entendi muita coisa. Mas foi bom como eles nos ensinaram a orar; disseram que há uma sequência lógica para seguir que é descrita quando Jesus ora o Pai Nosso: o reino de Deus antes de todas as coisas, então as nossas coisas. Foi bastante inspirador e, naquela noite, eu já pude praticar essa sequência.

O ponto final da viagem era o Paraguai. Minha mãe decidiu que seria mais divertido ir às compras que ir às Cataratas do Iguaçu. Talvez teria sido realmente mais divertido; mas não compraríamos a bola que ainda guardo de recordação no fundo do armário.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O Décimo filho - Cap 1-Sem sentido

Quando eu tinha 3 anos meu pai morreu. Não tinha noção das coisas e meu pai não era bem uma figura paternal; ele costumava nos levar no shopping e ficar sentado no sofá. Porém, eu sentia falta dele. Dali em diante estava com minha mãe e minha irmã; os outros irmãos não eram presentes e uma parte deles não se interessava com meu bem estar-nem em saber se eu estava vivo.
Foram tempos difíceis e escassos. Com o dinheiro da pensão de meu pai conseguimos nos sustentar, mas muitas regalias foram cortadas. Eu aprendi a ter o mínimo e não gastar com coisas desnecessárias.
Consigo me lembrar de uma vez em que vi minha mãe chorando no quarto e fui lhe dar um abraço.
-Querido, não queria que me visse assim…
-Está tudo bem, mamãe?
-Não tenho dinheiro para o almoço de amanhã...mas creio que Deus há de prover.
-Vai ficar tudo bem, mamãe.
-Sim, querido...ore comigo.
-Vou chamar a mana pra orar também.
-Tudo bem. Vai lá, meu garoto.
Oramos todos juntos naquela noite e fui dormir confiante que tudo ficaria bem. No dia seguinte, a vizinha trouxe uma panela média com estrogonofe e uma vasilha cheia de arroz por ter errado a mão e iria estragar se ficasse tudo na casa dela. Agradecemos e comemos felizes da vida, sabendo que alguém cuidava de nós.

Nesta idade eu não tinha noção de quem eu era ou quem eu poderia me tornar. Mas de uma coisa eu sabia: eu não estava sozinho…

A casa - redigido em 15/06/2018

Ela acordou ao ouvir as tábuas sendo tiradas de sua porta e os passos apressados. Depois de tanto tempo presenciando os mais diversos tipos ...